Barcelona, 29 de Janeiro de 2010

Hoje é o dia de desmontagem do Camisa:.Há um sentimento de vazio no ar, mas a sensação de missão cumprida estampa-nos a testa. Conseguimos. De um saco do Ikea para uma das mais prestigiadas galerias de arte em Barcelona. Como? Desculpa? Isso mesmo. O Camisa: esteve vivo durante dez dias, com um período de gestação de quatro meses.

Voltando atrás nesses meses, quando tudo começou, é importante referir o catalisador de toda esta reacção artística, a Maria João Floxo.

A Maria foi a pessoa que encontrou as famosas camisas. Virgens e inalteradas. Prontas para se tornarem em objectos artísticos colectivos e individuais de quem lhes quisesse pegar. Os “Inovarts” de Barcelona quiseram, e depois de muitas trocas de emails, de reuniões e de desistências por motivos aleatórios, uma equipa surgiu.

Uns chamam-lhe comissão organizadora, outros chamam-lhe elitismo. Eu chamo-lhe equipa e, mais importante ainda, chamo-lhe o verdadeiro espírito de equipa! Acabamos assim por ser nove. Ana Seixas, Daniel Santos, Frederico Marques, Laura Martins, Maria Guerreiro, Maria João Floxo, Mariana Bacelar, Ricardo Leal e eu, Raquel Martins.

Começamos por nos juntar na “casa deles” (Maria Guerreiro, Daniel Santos e Ricardo Leal), sempre à noite e com jantar patrocinado por pizza e Xibeca. Nesta casa em forma de “U”, a casa oficial do Camisa:, foi onde se realizaram as sessões loucas de brainstorming, o despejar de ideias, os testes à criatividade de cada um e, por fim, de onde surgiram os três sub-conceitos do projecto: “camisa,”, “camisa;” e “camisa.”. Seguimos para a próxima etapa. Espalhar a palavra e esperar que o resto dos “inovarts” que ainda não estavam a par do sucedido, tanto em Barcelona, como no resto do mundo, achem tanta piada à ideia como nós.

Passados dias, em efeito pop-up, tínhamos já a lista dos participantes e dos seus países: Alemanha, Áustria, Brasil, Espanha, E.U.A., Finlândia, Holanda, Inglaterra, Rússia e Suécia. Hormonas artísticas ao rubro, motivação em cima e, como se não bastasse, a Galeria de Arte Area Dos3dos / de José de Ibarra, confirma-nos a exposição durante dez dias de Janeiro 2010. O furor instalou-se e tornou-se constante, por enquanto ainda associado a um projecto irreal. Procurámos apoio financeiro, e  encontrámo-lo no Consulado de Portugal em Barcelona e no Instituto de Camões. Demos então o primeiro passo físico do Camisa dois pontos: o envio das encomendas! Com isto, abrimos a porta ao mundo e esperamos assim que a viagem das camisas fosse curta e que voltassem a casa com intervenções artísticas únicas. Por cá também não fizemos por menos. A camisa colectiva Espanha passou pelas mãos de muitos “inovarts” em Barcelona e teve duas paragens em Valência. Nesta fase, já havia material suficiente para prosseguir á promoção e divulgação do projecto. Enviamos o press kit para toda a imprensa espanhola e portuguesa.

O Camisa: foi bem recebido e teve óptima crítica. O orgulho tornou-se ainda maior. O aguardado dia da inauguração chegou. São 20.00h em ponto, as portas abrem-se ao público, já não há nada a fazer. Uma calamidade artística instalou-se em forma de camisas.

A inauguração, com direito a uma performance da Andrea Inocêncio e um concerto do Tiago Grade (ambos “inovarts”) foi um sucesso. Foi um dia intenso, mas principalmente as duas horas que a inauguração durou tornaram-se indescritíveis. Foram a desculpa para muitos reencontros e um convívio extremo. Durante os dias seguintes, a exposição teve muita afluência de pessoas e principalmente deixou uma grande e boa impressão a quem visitou.

O Camisa: não esteve só presente na Galeria Area Dos3dos / de José de Ibarra, alastrou-se também a algumas lojas de Barcelona. Durante o tempo que durou a exposição, houve camisas expostas em lojas de acordo com o tipo de espaço comercial. Por exemplo, uma camisa rebuçado em tamanho real exposta na Papabubble (loja de rebuçados artesanais) ou a camisa bacalhau exposta na loja Casa del Bacalau.

Voltando ao dia de hoje, aqui estamos na galeria onde teve lugar a exposição, a retirar camisa por camisa da parede. Barcelona recebeu-nos bem, mas não nos chega. Agora queremos Lisboa, a capital do nosso querido país. Queremos mostrar a Portugal do que fomos capazes e o que atitude e muita boa vontade juntas fazem. A culpa não é nossa, é do Inov-Art, que nos atiçou.

Queremos reencontramo-nos, voltar a montar a exposição com o orgulho a sair-nos da pele. Por isso queremos voltar a contar com ele para nos ajudar neste próximo passo: levar o Camisa: a Portugal!

Em nome de todos referidos em cima, agradeço às pessoas que participaram e ajudaram a dar vida ao Camisa:

Até á próxima!

Raquel Martins

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